segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Os gastos dos poderes da República

           Por Hamilton Leão


    O Instituto Amazônico da Cidadania – IACi, manifesta preocupação com os dados divulgados pelo jornal SBT Brasil nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, referentes aos gastos dos Poderes da República com recursos públicos.

    Segundo o levantamento, o Congresso Nacional — somadas Câmara dos Deputados e Senado Federal — custa aos cofres públicos cerca de R$ 15,7 bilhões por ano. No detalhamento individual, um deputado federal representa um custo médio anual de R$ 3,5 milhões, enquanto um senador alcança aproximadamente R$ 7,4 milhões por ano, considerando salários, cotas parlamentares, verbas de gabinete, gastos com pessoal, saúde, moradia e deslocamentos oficiais.

    No comparativo geral, as despesas anuais dos três poderes somam R$ 471,3 bilhões, sendo:

  • Legislativo: R$ 15,7 bilhões

  • Executivo: R$ 391,3 bilhões

  • Judiciário: R$ 64,3 bilhões

    O orçamento da União para 2026 foi sancionado com previsão de R$ 6,5 trilhões em despesas totais, o que significa que aproximadamente 7,25% de todo o orçamento federal é destinado exclusivamente à manutenção da estrutura dos poderes da República.

  Diante desse cenário, o IACi reforça a necessidade de transparência, controle social e debate público qualificado sobre a alocação dos recursos públicos, especialmente em um país marcado por profundas desigualdades sociais, déficits históricos em políticas públicas essenciais e recorrentes restrições orçamentárias em áreas como saúde, educação, habitação e meio ambiente.


   O custo do poder em um país desigual

   Enquanto milhões de brasileiros convivem com filas no SUS, escolas sucateadas e cidades alagadas, o custo da máquina pública segue avançando em ritmo próprio — distante da realidade da maioria da população.

 Dados divulgados pelo SBT Brasil escancaram um retrato desconfortável para manter os três poderes da República ao custo de R$ 471,3 bilhões por ano. Apenas o Congresso Nacional consome R$ 15,7 bilhões anuais, com parlamentares individuais custando milhões de reais aos cofres públicos.

  Um deputado federal, somando salário, cotas, verbas de gabinete e viagens oficiais, representa um gasto anual de R$ 3,5 milhões – R$ 291 mil ao mês. Um senador, por sua vez, chega a R$ 7,4 milhões por ano – R$ 616 mil ao mês, impulsionado por altos custos com pessoal, benefícios e estrutura administrativa.

  Quando colocados em perspectiva, esses números revelam mais do que cifras: revelam prioridades. Do orçamento federal de R$ 6,5 trilhões para 2026, cerca de 7,25% é consumido apenas para manter a engrenagem institucional dos poderes da República funcionando.

  Não se trata de negar a importância do Estado democrático, tampouco de defender seu enfraquecimento. O problema reside no descompasso entre o custo do poder e a entrega de resultados concretos à sociedade. Em um país onde faltam recursos para políticas ambientais, saneamento básico e moradia digna, a discussão sobre eficiência, austeridade e responsabilidade fiscal deveria ser permanente.

 O debate sobre os gastos públicos precisa sair das planilhas técnicas e chegar à sociedade. Transparência não é favor — é obrigação. E o controle social não é radicalismo — é democracia em funcionamento.

  Enquanto o país dança, canta e ocupa as ruas no Carnaval, se deixa levar pela paixão do futebol e se entrega aos vícios da modernidade, o exercício da cidadania — especialmente o acompanhamento dos gastos públicos — acaba ficando em segundo plano. Essa distração coletiva pode significar prejuízos concretos e pesar de forma decisiva na balança dos problemas sociais do país.

 No descuido do cidadão, a máquina pública segue operando em silêncio, consumindo bilhões de reais longe dos holofotes da atenção popular. Não se trata de condenar a festa e o futebol — patrimônios culturais do povo brasileiro — mas de reconhecer que a ausência temporária do olhar cidadão sobre os gastos públicos pode resultar em prejuízos duradouros, que reaparecem meses depois em forma de desigualdade, precariedade de serviços e crise social.



Manaus/AM, 2 de fevereiro de 2026

Instituto Amazônico da Cidadania – IACi

iaci.amazonas@gmail.com



Imagem gerada por IA Chat GPT