Por Hamilton Leão
A cidade de Manaus, ontem, 25/3, foi marcada por mais um dia de calamidade decorrente das fortes chuvas em vários pontos da cidade. Esse cenário exige um debate mais amplo, responsável e inclusivo, envolvendo poder público, instituições e sociedade civil, com o propósito de construir caminhos e soluções plausíveis para um problema recorrente que se repete ano após ano.
As principais causas das alagações estão diretamente relacionadas à degradação dos igarapés urbanos, frequentemente obstruídos por ocupações irregulares e pelo descarte inadequado de resíduos sólidos. Soma-se a isso a histórica ausência — ou insuficiência — de políticas públicas eficazes nas áreas de habitação, saneamento básico e planejamento urbano.
É notório que tanto o Estado quanto o Município vêm sendo acionados judicialmente em razão das falhas na gestão pública, com processos que se arrastam por anos e, muitas vezes, culminam em decisões transitadas em julgado que impõem obrigações ao poder público. No entanto, a morosidade, a burocracia e a ineficiência administrativa acabam por retardar ainda mais a efetivação dessas decisões, perpetuando um ciclo de inércia institucional.
Nesse contexto de judicialização prolongada e negligência estrutural, quem mais sofre é a população, especialmente a parcela mais vulnerável, exposta diariamente aos riscos e aos danos provocados pelas alagações, que impactam de forma generalizada a vida urbana.
Diante desse cenário, o Instituto Amazônico da Cidadania – IACi reafirma a urgência de retomar o debate qualificado sobre o ordenamento urbano e ambiental em nossa cidade. É imprescindível convocar cidadãos, especialistas, instituições e autoridades para um diálogo amplo, propositivo e comprometido com soluções concretas, capazes de gerar encaminhamentos efetivos aos órgãos competentes.
A construção de propostas sólidas, consistentes e de curto prazo é medida urgente e necessária, antes que os impactos dessas tragédias anunciadas se tornem ainda mais graves e irreversíveis.